História do Pinheirinho: de caminho dos tropeiros a bairro de Curitiba

A História do Pinheirinho começou muito antes de Curitiba alcançar a região sul com bairros, avenidas, terminais de ônibus e grandes áreas comerciais. No início do século XIX, a paisagem era formada principalmente por campos, caminhos e propriedades rurais.

Conhecer a História do Pinheirinho é acompanhar também uma parte importante da expansão de Curitiba para o sul. Antes de se transformar em um bairro densamente ocupado, a região serviu como passagem e local de pouso para viajantes e tropeiros.

Naquela época, o lugar chegou a ser conhecido como Capão do Alto.

Depois vieram a Fazenda Pinheirinho, a divisão das propriedades, estradas, comércio, a abertura da BR-116, novos moradores e, décadas mais tarde, um dos terminais de transporte mais importantes da cidade.

A transformação foi profunda.

O antigo território rural tornou-se parte da metrópole.

Mas algumas pistas de seu passado permanecem escondidas no próprio nome do bairro.

Onde fica o Pinheirinho?

O Pinheirinho está localizado na região sul de Curitiba.

Sua posição ajuda a explicar boa parte de sua história.

O bairro está em um antigo corredor de circulação

Muito antes dos automóveis, viajantes atravessavam essa região para entrar ou sair de Curitiba.

O sul funcionava como ligação com outros territórios

Os caminhos conectavam Curitiba às regiões localizadas mais ao sul e faziam parte de uma rede utilizada para transportar pessoas, animais e mercadorias.

Essa circulação ajudaria a estimular a ocupação.

No início do século XIX, a região era conhecida como Capão do Alto

Um dos nomes mais antigos relacionados ao atual Pinheirinho é Capão do Alto.

A denominação aparece na documentação histórica utilizada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba.

A paisagem era predominantemente rural

Não existiam grandes avenidas.

Não havia terminal de ônibus.

As atuais áreas comerciais ainda estavam muito distantes de surgir.

Campos dominavam a região

Os caminhos eram percorridos por viajantes e tropeiros.

O Pinheirinho que conhecemos hoje ainda não existia como bairro urbano.

Os tropeiros ajudaram a movimentar o sul de Curitiba

O tropeirismo teve enorme importância na história de Curitiba.

A cidade estava situada em uma posição estratégica nas rotas utilizadas para transportar animais e mercadorias entre o Sul e outras regiões do Brasil.

As tropas percorriam longas distâncias

Mulas.

Cavalos.

Gado.

Mercadorias.

As viagens exigiam pontos de descanso

Homens e animais precisavam parar.

Era necessário encontrar alimentação, abrigo e locais adequados para repouso.

Regiões próximas aos caminhos passaram naturalmente a desenvolver atividades relacionadas a esse movimento.

O Pinheirinho tornou-se região de passagem e pouso

No início do século XIX, viajantes e tropeiros atravessavam os campos da região sul de Curitiba.

O atual Pinheirinho estava justamente nesse percurso.

A passagem começou a gerar oportunidades

Onde existem viajantes, aparecem necessidades.

Comida.

Hospedagem.

Mercadorias.

Descanso.

Pequenos negócios começaram a surgir

Armazéns.

Hotéis.

Restaurantes.

Esses estabelecimentos ajudaram a criar condições para o desenvolvimento da região.

O caminho deixava de ser apenas passagem.

Começava a produzir ocupação.

O tropeirismo transformou Curitiba

A importância dos tropeiros não ficou restrita ao Pinheirinho.

A própria Prefeitura de Curitiba relaciona a recuperação econômica da cidade, a partir de 1812, ao tropeirismo.

Curitiba estava no caminho entre Viamão, São Paulo e Minas Gerais

A passagem das tropas movimentou o comércio.

Surgiram lojas.

Armazéns.

Escritórios ligados ao transporte de animais.

Fazendas também ganharam importância

Algumas propriedades eram utilizadas para invernada.

Os animais descansavam e recuperavam peso antes de continuar a viagem.

Essa economia ajudou a transformar diferentes partes da cidade.

A Fazenda Pinheirinho deu identidade à região

A formação do bairro está diretamente relacionada à Fazenda Pinheirinho.

A propriedade ocupava uma grande extensão territorial.

Sua formação resultou da concentração de propriedades de pioneiros

Com o passar do tempo, diferentes terras acabaram compondo uma área maior.

A fazenda tornou-se referência geográfica

Antes de existirem os mapas urbanos atuais, grandes propriedades frequentemente ajudavam a identificar regiões.

O nome Pinheirinho começou a se consolidar dessa maneira.

Mas por que o nome Pinheirinho?

A resposta está na própria paisagem.

Segundo o histórico do IPPUC, havia numerosos pinheiros na região.

Algumas árvores estavam agrupadas na entrada da fazenda

Outras acompanhavam os limites das propriedades.

Os pinheiros funcionavam como referência

Para quem atravessava a região, aquela vegetação ajudava a identificar o lugar.

A associação acabou permanecendo.

Fazenda Pinheirinho.

Depois, bairro Pinheirinho.

O pinheiro-do-Paraná marcou a paisagem curitibana

A presença de araucárias não era exclusiva do bairro.

O próprio nome Curitiba está historicamente relacionado à grande quantidade de pinheiros encontrada na região.

A Araucaria angustifolia dominava partes da paisagem

Sua forma característica podia ser vista a grandes distâncias.

A árvore tornou-se símbolo do Paraná

Com a urbanização e a exploração da madeira, grande parte dessas formações desapareceu.

Mas os nomes preservaram a memória.

Pinheirinho é um exemplo claro.

A Fazenda Pinheirinho começou a ser dividida na década de 1870

Um acontecimento importante ocorreu no início da década de 1870.

A Fazenda Pinheirinho passou por processo de medição e divisão.

Grandes propriedades começavam a ser fragmentadas

Esse processo é fundamental para compreender a futura urbanização.

A divisão permite novos proprietários

Novas famílias.

Novos caminhos.

Novas construções.

Pouco a pouco, o território rural ganha outra organização.

A transformação em bairro ainda levaria tempo, mas uma base estava sendo criada.

Curitiba também estava mudando

Naquela mesma época, a capital paranaense atravessava importantes transformações.

Desde 1853, Curitiba era capital da Província do Paraná.

A população crescia

Imigrantes chegavam.

Comércio se expandia.

Novas ruas eram abertas.

A cidade começava a ultrapassar seus antigos limites

Durante muito tempo, o núcleo urbano esteve concentrado nas proximidades do atual Centro Histórico.

No final do século XIX e ao longo do século XX, Curitiba avançaria progressivamente em várias direções.

Inclusive para o sul.

O Pinheirinho ainda estava distante do Centro urbano

Apesar dessas mudanças, a região manteve características rurais durante muito tempo.

As distâncias eram percebidas de maneira diferente.

Ir ao Centro exigia planejamento

As estradas não ofereciam a infraestrutura atual.

O deslocamento era mais lento.

Produtos agrícolas precisavam ser transportados

Moradores levavam mercadorias para outras partes da cidade.

Lenha também era um produto importante.

Essas viagens mantinham a região conectada economicamente a Curitiba.

Carroções percorriam as antigas estradas

Na primeira metade do século XX, carroções ainda faziam parte da paisagem.

Eles transportavam produtos agrícolas e lenha em direção ao Centro.

As vias possuíam outra função

Não eram avenidas urbanas.

Eram caminhos de ligação entre áreas rurais e a cidade.

O ritmo era completamente diferente

Sem o fluxo intenso de automóveis, ônibus e caminhões de hoje, a relação com distância e tempo era outra.

Essa realidade começaria a mudar drasticamente na década de 1950.

A BR-116 mudou a história do Pinheirinho

Poucas obras tiveram tanto impacto na região quanto a abertura da BR-116.

Na década de 1950, a nova rodovia substituiu parte da lógica das antigas estradas utilizadas pelos carroções.

O transporte ganhou outra escala

Caminhões.

Automóveis.

Ônibus.

Mercadorias em maior volume.

A região ganhou uma conexão muito mais rápida

O Pinheirinho deixou de depender exclusivamente dos antigos caminhos locais.

A rodovia se tornou um marco para o desenvolvimento do bairro.

Uma rodovia pode transformar o território ao redor

A construção de uma grande via não muda apenas o trânsito.

Ela altera o valor e o uso das terras próximas.

Acessibilidade atrai ocupação

Moradores.

Comércio.

Serviços.

Empresas.

Novas construções aparecem

Áreas antes rurais passam a ter maior interesse urbano.

Foi justamente esse tipo de transformação que começou a acelerar no sul de Curitiba.

A antiga região rural começou a ganhar moradores

Durante as décadas seguintes, o Pinheirinho passou por um processo cada vez mais intenso de ocupação.

Terrenos foram divididos.

Casas apareceram.

Novas famílias se estabeleceram

Algumas chegavam de outras partes de Curitiba.

Outras vinham de diferentes regiões do Paraná e do Brasil.

O bairro começava a ganhar densidade

Com mais moradores, surgiam também novas necessidades.

Escolas.

Comércio.

Transporte.

Saúde.

Infraestrutura.

A urbanização alimentava novas etapas de crescimento.

O comércio acompanhou a população

Essa relação já existia desde os tempos dos tropeiros.

Quando aumenta o movimento de pessoas, atividades comerciais aparecem.

A diferença estava na escala

Os antigos armazéns atendiam viajantes e moradores de uma região rural.

Décadas depois, lojas e serviços precisavam atender milhares de habitantes.

A função comercial se reinventou

Supermercados.

Farmácias.

Lojas.

Restaurantes.

Prestadores de serviços.

O bairro começava a desenvolver sua própria centralidade.

A Avenida Winston Churchill tornou-se um dos grandes eixos

Com a urbanização, algumas vias ganharam importância especial.

A Avenida Winston Churchill tornou-se uma das principais referências do Pinheirinho.

Comércio e transporte se concentram no eixo

Milhares de pessoas passam pela região diariamente.

A avenida representa outra fase da história

Dos caminhos de tropeiros às grandes avenidas.

Dos carroções aos ônibus biarticulados.

O contraste mostra a escala da transformação.

O transporte coletivo mudou novamente o Pinheirinho

Curitiba começou a implantar um novo modelo de transporte coletivo na década de 1970.

O sistema utilizava corredores estruturais e ônibus expressos.

O crescimento urbano seria orientado pelo transporte

Habitação e comércio passaram a se concentrar ao redor dos grandes eixos.

O sul também precisava ser integrado

O Pinheirinho estava cada vez mais populoso.

Era necessário conectar seus moradores ao restante da cidade de maneira eficiente.

O Terminal Pinheirinho tornou-se peça fundamental

Em 1980, um acontecimento mudaria definitivamente a mobilidade da região.

Foi inaugurado o Terminal Pinheirinho.

O equipamento complementava o Eixo Sul

Linhas alimentadoras levavam passageiros dos bairros até o terminal.

Dali, era possível seguir pelos corredores estruturais.

Nascia uma nova lógica de deslocamento

Em vez de cada linha seguir isoladamente até o Centro, o sistema permitia integrações.

O terminal se transformou em ponto de conexão.

A inauguração coincidiu com uma transformação tarifária

O ano de 1980 foi decisivo para o transporte de Curitiba.

Além do Terminal Pinheirinho, a cidade implantou a Tarifa Social Única.

Antes, o preço variava conforme a linha

Moradores das regiões mais distantes podiam pagar mais para chegar ao Centro.

A tarifa única mudou essa lógica

O valor foi padronizado.

Isso tinha grande importância para bairros afastados.

A distância deixou de significar automaticamente uma passagem mais cara.

Cerca de 35 mil pessoas já utilizavam o novo terminal

Quando o Terminal Pinheirinho foi inaugurado, aproximadamente 35 mil passageiros passaram a utilizá-lo.

O número cresceu com a integração.

O equipamento tornou-se cada vez mais importante

Novas linhas foram conectadas.

A população da região aumentou.

O terminal virou referência

Para muitos moradores, dizer “Pinheirinho” passou também a significar o terminal e seu entorno.

A infraestrutura de transporte ajudou a criar uma centralidade urbana.

O Pinheirinho deixou de ser apenas bairro de passagem

Existe uma interessante inversão histórica.

No século XIX, pessoas passavam pela região em direção a outros destinos.

Depois, o próprio Pinheirinho virou destino

Moradores passaram a encontrar comércio e serviços dentro do bairro.

A centralidade aumentou

Não era mais necessário ir ao Centro para todas as atividades.

Essa transformação aconteceu em diferentes bairros de Curitiba conforme a cidade cresceu.

A integração aproximou bairros do sul

O Terminal Pinheirinho passou a conectar áreas cada vez mais distantes.

Tatuquara.

Sítio Cercado.

CIC.

Capão Raso.

Outras regiões.

O bairro virou ponto de articulação

Pessoas chegavam de ônibus alimentadores e seguiam para outros corredores.

A localização histórica voltou a ter importância

Séculos antes, o território era passagem de tropeiros.

Agora, era passagem de passageiros do transporte coletivo.

Mudou o meio de transporte.

A função de conexão permaneceu.

O Pinheirinho cresceu junto com o extremo sul

A expansão de Curitiba não parou no bairro.

Novos loteamentos avançaram para regiões ainda mais distantes.

A Rua Maria Luzardi Bertoldi ajuda a mostrar como a urbanização avançou por áreas do sul de Curitiba.

Tatuquara ganhou população

Sítio Cercado se expandiu.

Outras áreas foram urbanizadas.

O Pinheirinho tornou-se intermediário

Ele passou a funcionar entre o Centro consolidado e novas áreas de crescimento.

Isso aumentou ainda mais sua importância comercial e de transporte.

A Cidade Industrial também influenciou a região

A implantação da Cidade Industrial de Curitiba, na década de 1970, transformou profundamente o oeste e o sul da capital.

Empresas chegaram.

Empregos foram criados.

Trabalhadores precisavam morar e se deslocar

Bairros próximos sentiram os efeitos.

O crescimento industrial impulsionou a urbanização

Habitação e transporte passaram a acompanhar as novas oportunidades econômicas.

O Pinheirinho fazia parte desse território em transformação.

Moradia e emprego mudaram a dinâmica do sul

A expansão industrial não aconteceu isoladamente.

Novos conjuntos habitacionais surgiram.

Loteamentos se multiplicaram.

A população aumentou rapidamente em diferentes áreas

Com isso, a demanda por infraestrutura também cresceu.

Urbanizar significa construir muito mais do que casas

Água.

Esgoto.

Asfalto.

Iluminação.

Escolas.

Unidades de saúde.

Transporte.

Cada novo morador aumenta a necessidade de serviços urbanos.

O bairro ganhou uma identidade própria

Com o tempo, Pinheirinho deixou de ser percebido apenas como uma área distante do Centro.

A própria comunidade criou referências.

Igrejas fazem parte dessa memória

A Igreja de Sant’Ana é uma das imagens associadas à história local.

Comércio também cria identidade

Lojas antigas.

Empresas familiares.

Mercados.

Restaurantes.

São estabelecimentos que acabam fazendo parte da memória cotidiana dos moradores.

A Rua da Cidadania reforçou a centralidade regional

A descentralização dos serviços municipais foi outra etapa importante.

Curitiba criou estruturas administrativas em diferentes regiões da cidade.

Moradores passaram a acessar serviços mais perto de casa

Atendimento público.

Atividades culturais.

Serviços administrativos.

O Pinheirinho ganhou importância regional

O bairro deixou de depender exclusivamente das estruturas localizadas no Centro.

A própria administração municipal reconhecia uma nova escala da cidade.

A Regional Pinheirinho reúne vários bairros

A influência do nome ultrapassa os limites do próprio bairro.

Pinheirinho também identifica uma das regionais administrativas de Curitiba.

A regional inclui áreas vizinhas

Capão Raso.

Fanny.

Lindóia.

Novo Mundo.

Pinheirinho.

Isso demonstra sua importância

O antigo nome de uma fazenda rural passou a representar uma região administrativa de uma metrópole.

É uma transformação impressionante quando observada em perspectiva histórica.

O transporte continuou evoluindo

O sistema criado no século XX não permaneceu congelado.

Novos veículos chegaram.

Linhas mudaram.

Terminais foram reformados.

Os ônibus biarticulados aumentaram a capacidade

Depois vieram os ligeirões.

A integração continuou sendo aperfeiçoada

O objetivo permanecia semelhante: transportar grande quantidade de pessoas entre regiões afastadas e os principais eixos da cidade.

O Pinheirinho continuou no centro dessa estratégia.

O Ligeirão Norte-Sul aproximou extremos da cidade

Nas últimas décadas, o corredor Norte-Sul recebeu novas melhorias.

O Ligeirão passou a ligar o Terminal Pinheirinho ao Terminal Santa Cândida.

A distância urbana é enorme

O trajeto atravessa Curitiba.

O Pinheirinho passou a estar diretamente conectado ao extremo norte

É interessante comparar essa realidade aos antigos caminhos do século XIX.

Uma viagem que antes dependia de estradas rudimentares hoje utiliza corredores exclusivos e veículos de alta capacidade.

A Linha Verde criou outra conexão

A transformação da antiga BR-116 na Linha Verde acrescentou um novo capítulo.

A rodovia que havia impulsionado o crescimento na década de 1950 passou por uma nova mudança.

O corredor deixou de ser pensado apenas como rodovia

Transporte coletivo e integração urbana ganharam espaço.

O Pinheirinho voltou a sentir os efeitos

Novas ligações passaram a conectar a região a outros pontos da cidade.

A mesma BR-116 que marcou o desenvolvimento do bairro no século XX entrou em uma nova fase no século XXI.

O passado rodoviário ainda está presente

Mesmo com a Linha Verde, compreender a antiga BR-116 é fundamental.

Durante décadas, ela funcionou como uma das principais referências para quem chegava ao sul de Curitiba.

Empresas se instalaram próximas

Comércio cresceu.

Bairros avançaram.

Infraestrutura cria desenvolvimento

Mas também pode criar barreiras.

Grandes rodovias dividem territórios e dificultam travessias.

Transformá-las em avenidas urbanas significa tentar corrigir parte desses problemas.

O Pinheirinho atual possui outra escala

Quem observa o bairro hoje encontra uma paisagem completamente diferente daquela descrita nos documentos do século XIX.

Trânsito intenso.

Ônibus.

Comércio.

Edifícios.

A região está integrada à malha urbana

Não existe mais a sensação de estar chegando a uma área rural distante.

Curitiba cresceu muito além do Pinheirinho

Bairros localizados mais ao sul agora fazem parte do cotidiano metropolitano.

Aquilo que um dia esteve na periferia do território urbanizado tornou-se uma centralidade intermediária.

Mas o nome continua contando a história

Talvez esse seja um dos elementos mais interessantes.

O bairro mudou quase completamente.

A paisagem rural desapareceu.

Os antigos pinheiros já não definem o território

Mas permanecem na palavra Pinheirinho.

Um nome pode sobreviver à paisagem

É uma espécie de documento.

Quem pergunta por que o bairro se chama Pinheirinho acaba descobrindo a antiga fazenda e as árvores que marcavam suas divisas.

O Capão do Alto também permanece escondido

Antes da Fazenda Pinheirinho se tornar a grande referência, a região era conhecida como Capão do Alto.

Hoje, poucos moradores utilizam essa denominação.

O nome desapareceu do cotidiano

Mas não da história.

As cidades acumulam nomes

Alguns permanecem.

Outros desaparecem.

Conhecê-los ajuda a perceber que os bairros atuais não surgiram prontos.

São resultado de diferentes fases de ocupação.

Fotografias antigas ajudam a imaginar essa transformação

Registros históricos são especialmente importantes em bairros que mudaram radicalmente.

Uma imagem de uma estrada rural pode ser difícil de relacionar à avenida atual.

Pontos de referência ajudam

Igrejas.

Estradas.

Construções.

Relevo.

Comparar imagens revela o crescimento

Terrenos vazios desaparecem.

Casas surgem.

Depois aparecem estabelecimentos comerciais.

As ruas são pavimentadas.

O trânsito aumenta.

A história urbana se torna visível.

As memórias dos moradores completam os documentos

Nem tudo aparece em mapas oficiais.

Moradores antigos lembram de detalhes cotidianos.

Ruas sem asfalto

Brincadeiras.

Comércios que desapareceram.

Linhas de ônibus.

Terrenos vazios.

Essas lembranças também são patrimônio

Quando registradas, ajudam a complementar a documentação institucional.

A história de um bairro é construída tanto pelas grandes obras quanto pela experiência de quem viveu ali.

O Pinheirinho é um exemplo da expansão de Curitiba para o sul

A trajetória do bairro permite enxergar um processo maior.

Primeiro, caminhos rurais.

Depois, propriedades.

Em seguida vêm as estradas

Loteamentos.

Moradores.

Infraestrutura.

Transporte.

Comércio.

Finalmente surge uma nova centralidade

Esse processo se repetiu, com características próprias, em outros bairros da região sul.

Por isso, estudar o Pinheirinho ajuda a compreender muito mais do que um único bairro.

Do tropeiro ao ônibus biarticulado

Talvez nenhuma comparação resuma melhor a transformação.

No início do século XIX, tropeiros atravessavam a região acompanhando animais e mercadorias.

Hoje, milhares de passageiros passam pelo Terminal Pinheirinho.

Os meios de transporte mudaram completamente

Cavalos.

Carroções.

Automóveis.

Ônibus.

Biarticulados.

Ligeirões.

Mas a circulação continua definindo o lugar

O Pinheirinho sempre esteve relacionado ao movimento.

Primeiro como passagem.

Depois como conexão.

Por que conhecer a História do Pinheirinho?

Porque ela mostra como Curitiba deixou de ser uma cidade concentrada ao redor do Centro e avançou para territórios cada vez mais distantes.

O bairro guarda diferentes fases desse crescimento

Tropeirismo.

Fazenda Pinheirinho.

Divisão das terras.

BR-116.

Urbanização.

Terminal.

Cada etapa deixou consequências

Algumas ainda são visíveis.

Outras sobrevivem apenas em documentos, fotografias e nomes.

Juntas, formam a identidade do bairro.

Conclusão

A História do Pinheirinho começa muito antes das grandes avenidas e do intenso movimento que caracteriza atualmente a região sul de Curitiba.

No início do século XIX, a área era conhecida como Capão do Alto e servia de passagem e pouso para viajantes e tropeiros que atravessavam os campos ao sul da cidade.

A circulação estimulou os primeiros negócios.

Armazéns, hotéis e restaurantes apareceram nas proximidades dos caminhos, atendendo viajantes e contribuindo para o desenvolvimento local.

Depois, a Fazenda Pinheirinho tornou-se uma das principais referências da região.

Seu nome estava relacionado à presença de numerosos pinheiros, alguns agrupados na entrada da propriedade e outros utilizados como referência nas divisas.

No início da década de 1870, a medição e divisão da fazenda marcou uma nova etapa na organização do território.

Durante décadas, porém, a região ainda manteve características rurais.

Carroções percorriam estradas levando lenha e produtos agrícolas para o Centro de Curitiba.

Na década de 1950, a abertura da BR-116 modificou essa realidade.

A nova rodovia ampliou a circulação, valorizou áreas próximas e tornou-se um marco do crescimento do Pinheirinho.

Nas décadas seguintes, loteamentos e novos moradores aceleraram a urbanização.

Comércio e serviços acompanharam o aumento populacional.

Em 1980, a inauguração do Terminal Pinheirinho acrescentou outro capítulo decisivo.

O bairro passou a desempenhar papel central na integração do transporte coletivo do sul de Curitiba. A implantação da tarifa única naquele mesmo período também beneficiou moradores de regiões mais distantes, que deixaram de pagar tarifas maiores simplesmente por viver longe do Centro.

A transformação continuou.

Vieram novas linhas, ônibus articulados, biarticulados e ligeirões.

A antiga BR-116 entrou em outra fase com a implantação da Linha Verde.

Curitiba cresceu ainda mais para o sul.

E o Pinheirinho, que um dia esteve em uma área rural distante, tornou-se uma centralidade urbana cercada por bairros ainda mais afastados.

Apesar de todas essas mudanças, dois elementos permanecem escondidos em sua história.

O antigo Capão do Alto.

E os pinheiros da Fazenda Pinheirinho.

São lembranças de uma paisagem que praticamente desapareceu, mas que continua presente no nome utilizado diariamente por milhares de curitibanos.

Dos caminhos percorridos por tropeiros aos corredores utilizados pelos ônibus atuais, a História do Pinheirinho mostra que a circulação de pessoas sempre esteve no centro da transformação do bairro.

Mudaram os caminhos.

Mudaram os veículos.

Mudou Curitiba.

Mas o Pinheirinho continuou sendo um lugar de passagem, encontro e conexão entre a cidade e seu território ao sul.

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